terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Sabian, parte I

Sabian morava tranquilo na casa mais afastada da aldeia. Era uma pequena casa de pedra formada por uma só divisão com duas janelas e uma porta que dava para o jardim em frente. Num dos lados, um pouco afastado ficava um barracão de madeira que usava para o seu trabalho de ferreiro.

Era ferreiro há mais anos que recordava, e tanto quanto sabia nunca na sua vida tinha sido outra coisa. O seu talento era reconhecido no arredores, trazendo até ele gentes das aldeias vizinhas, onde a sua fama chegava.

Era um homem rude, de braços fortes e tronco musculado. A barba comprida dava ao seu rosto um ar ameaçador que o tinha tornado suspeito quando chegara à aldeia, dez anos antes.

Desde então os habitantes, embora usassem os seus serviços evitavam-no. Principalmente porque Sabian tinha decidido ocupar o casebre do velho pastor, que havia morrido sozinho como sempre vivera. E os aldeões acreditavam que desde então a alma deste vagueava por aqueles campos em busca de companhia. Mas Sabian não era homem de acreditar em lendas ou historias mal contadas. E de magia o que soubera esquecera... Tinha olhado para a casa, para a vastidão dos campos há sua frente e a beleza do bosque ao longe, nas traseiras, e não se importou com mais nada que não fosse repôr as pedras que o vento e o tempo haviam derrubado.

Esta atitude não o tornara particularmente popular na aldeia. Contudo, ele parecia não notar a frieza dos aldeões. Era um homem reservado que preferia guardar as palavras para as arvores sábias do bosque, ou para os animais que o habitavam...

a continuar...

Nenhum comentário: